Gostaria de pedir perdão

junho 27, 2017

Hoje eu acordei com um desejo de pedir perdão aos que sofrem, do que eu costumo chamar, de frustração espiritual. Sim, eu irei fazer isso, pois quem sente a dor deste mal, provavelmente, ainda não foi fitado com misericórdia, e nem mesmo, contemplado com um sincero olhar.  



Gostaria de pedir perdão aos que foram apresentados a uma imagem deturpada do Dono do Mundo. Sim, eu estou falando de Deus. É assim que gosto de chamá-lo. Retrato-me, então, com os que foram apontados a um Deus desconfigurado da realidade. Um Deus de vingança, acusador, que não perde tempo em apontar fraquezas, egoísta, que cruza os braços para o sofrimento alheio, que não é piedoso.

Gostaria de pedir perdão aos que se desiludiram com a fé, em decorrência de atitudes incoerentes dos famosos “portadores” de Deus, os mesmos que deveriam ser embaixadores da paz, que deveriam ser refúgio, porto seguro, mas ao que me parece, preferem agora estimular a divisão e a mentira. 

Gostaria de pedir perdão aos tristes e oprimidos, por não terem sido conduzidos à Felicidade, em consequência da frieza e do individualismo de quem deveria desempenhar esse papel. A correria do dia-a-dia, comumente, se torna desculpa para o agir da indiferença, contudo, o que eu vejo mesmo é o mais puro desamor e egocentrismo. 

Gostaria de pedir perdão, também, aos que não se sentem amados e aos que sofrem sozinhos, pela ausência dos abraços de quem foi incumbido de realizar essa missão. Este é um ponto bem delicado, não posso refutar. A carência do calor humano destrói a esperança, a dignidade, e um ser humano nessas circunstâncias está fadado a uma vida sem sentido, insípida, uma vez que nascemos para nos relacionar.

Gostaria de pedir perdão, aos perseguidos, violentados, julgados e condenados por pessoas que se comprometeram a ser instrumento de Deus, por pessoas que foram encarregadas de ouvir, aconselhar, acolher, ensinar, mas que por fim, se tornaram promotoras da intolerância, do abuso, do poder descabido. Fatos, estes, que são contra a essência daquele que é o Dono do Mundo.

Para finalizar, gostaria de pedir perdão aos que foram enganados, e não conheceram o Deus mais simples da história, que se importa nos detalhes, que não se descreve em palavras, a Misericórdia Encarnada. Ele que é Bondade Infinita, Doce Mistério, Sobrenatural. Um Deus justo, que até em suas demoras de dor, nos ensina a paciência num mundo imediatista, repleto de ansiedade e desespero. Ele, o vento que se pode sentir, mas não se pode ver. Ele, que parece abstrato, contudo, é concreto.

Sim, eu peço perdão em nome daqueles que, em sua ignorância, acreditam estar fazendo o certo, mas acabam por ferir a muitos corações. Peço perdão com a singela autoridade que tenho diante do Dono, como humana, como mulher, como pessoa, como cidadã, como filha, como irmã, como amiga, como futura mãe, como trabalhadora, como estudante, como alguém que ainda tem esperança no mundo, como alguém que acredita que o perdão pode reverter grandes atrocidades.

Peço perdão, como alguém que, acima de tudo, ama e é amada com um Amor que muitos ainda desconhecem.

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