Evolução e devaneios

maio 18, 2017

Constantemente, passo por momentos de profunda reflexão dentro do ônibus. Não foi diferente essa semana.




Sentada na janela, observando a paisagem e comendo um salgado frito de queijo com presunto, fiquei a pensar no quanto gosto dessa combinação de sabores, de aromas e texturas. É um "prato" que sempre me ganha, seja na correria, seja na calmaria. 

Gastei um bom tempo pensando no bendito salgado, e imaginando quem seria o gênio que inventou essa mistura de massa, queijo e presunto. Quanto mais eu pensava nisso, mais o meu coração se enchia de gratidão e curiosidade em saber como tudo começou. Quem fez a primeira tentativa? Como teria sido a descoberta do queijo? E do presunto? Como teriam pensado na fritura? E de questão em questão fui voltando no tempo, até que cheguei à pré-história.

Alguém, em algum lugar no tempo, teve a brilhante ideia de cozinhar o porco e assim, encontrar o presunto. A confecção do primeiro queijo foi mais uma viagem em minha mente. Contudo, o que mais me encantava em todos os meus delírios gastronômicos era a inteligência do ser humano em criar, aprimorar e evoluir. Quantos anos de evolução! Quantos pratos sendo criados, e paralelamente a isso, um mundo sendo construído. Casas sendo levantadas, pessoas cuidando das enfermidades de outras, ciência, vestuário, estradas, roda, carro. O mundo acontecendo. Quanta inteligência! Cada qual desempenhando seu papel de acordo com sua aptidão pra construir uma nova realidade no tempo.

Obviamente, com tanto talento, não demorou a surgir a percepção de valores. Quanto pode custar um salgado de queijo com presunto? Quanto pode custar um carro? Quanto pode custar uma casa? Quanto pode custar um remédio? Quanto pode custar o tempo?

Hoje, olhando para a minha vida tão simplificada, mal posso imaginar, nem se quer mensurar quanto sangue e suor foram derramados pelo básico e pelo complexo que possuo.  Não consigo por em dimensão o tempo, o esforço e a dedicação dos primeiros seres humanos. Às vezes, nas minhas facilidades da vida, esqueço que em algum lugar da história, antes da minha mísera existência, alguém se dedicou a fazer algo novo, a criar, a inventar. Alguém fez o que ninguém fez. E isso me impressiona. A capacidade do ser humano de ir além me impressiona. 

Eu fico admirada quando vejo a matemática, a organização da época, os artefatos, as diversas estruturas, estudos e caminhos sendo trilhados, concomitantemente. Cada humano na sua área, construindo a sua parte, de acordo com sua vocação, com o seu dom, para sua comunidade, para a sobrevivência. E pensar que hoje ensinam nossos adolescentes e jovens a fazerem o que dá dinheiro, para benefício próprio, em detrimento da evolução, das novas descobertas, da execução de uma aptidão particular, para o bem comum.

Fico me questionando como entrou o individualismo num mundo que foi estruturado em aparente unidade. Será que foi quando entrou o dinheiro? No se engrandecer com que é capaz de realizar? Nas disputas para decidir quem é o melhor? Na inveja do talento alheio?

Ah, o ser humano... Tão inteligente e tão frágil. Tudo o pode roubar do essencial. Tudo o pode roubar de si.

E pensar, ainda, que toda essa aventura começou num salgado de queijo com presunto. Espero que na próxima refeição eu possa me deter no presente. Ou não... Às vezes é bom viajar.


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Créditos de texto e imagem à Juliana Wulpi, autora deste blog. Lembre-se, plágio é crime.

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10 comentários

  1. Po, parabéns pelo post, super reflexivo! AMO ISSO. Nunca consigo criar post assim, amei, sem mais! O ser humano é inteligente, porem destrói muita coisa. Parabens pelo blog, muito sucesso viu?

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    1. Obrigada Anne! A intenção do post é refletir mesmo. Que bom que eu certo <3

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  2. Gostei do texto, isso também acontece comigo. Alguns textos que escrevi foram fruto de observações. Tudo ao nosso redor, por menor que seja pode virar um belo texto, basta ter sensibilidade. Texto leve, descontraído e muito reflexivo.
    Parabéns!
    Bjs
    Simplesmente Ciana

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  3. Bem refleivo. Eu quando tô comendo salgado de queijo com presunto só penso em comer mais kkkk Também me ganha na correria ou na calmaria. Amei. Boa sorte com o Blog ❤

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  4. Nossa, muito refletivo, as vezes eu também penso assim e do nada saia a curiosidade de saber como foi feito, quem vez, quem teria provado pela primeira vez e tals. Parabéns pelo texto. Boa sorte com blog!

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  5. Que texto lindo Juliana <3 me levou a refletir junto contigo, e eu espero que na próxima refeição você não fique detida no presente e viaje de novo, para produzir outro texto incrível como esse. Beijos!

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  6. Confesso que já me peguei diversas vezes pensando nessas mesmas coisas, claro, não nos mesmos alimentos. hahaha Mas adorei teu texto, realmente o ser humano é tão inteligente e tão frágil ao mesmo tempo. bjuxxx
    www.taayvargas.com

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  7. Quem nunca viajou pela janela do onibus que atire a primeira pedra rsrs.. confeso que sempre que viajo pela janela, meus pensamentos não sao tao intensos e profundos como o seu. (me deixou ate com vontade de comer um salgado de queijo e presunto rs). Ser humano- ser esplendido. Parabens pelo post e sucesso!!!

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  8. Olá ❤️
    Parabéns pelo seu texto, você escreve muito bem deveria escrever um livro rs achei muito interessante sua reflexão sobre a evolução do mundo, a inteligência do homem é algo que apenas Deus explica. Por um lado a evolução é maravilhosa, porem em algumas coisas é lamentável o retrocesso do ser humano em questões simples que só precisariam de mais compreensão e respeito. Beijoos ❤️❤️

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  9. Eu achava que só eu viajava nessas coisas, juro! Tem vezes que eu me pego pensando em cada coisa maluca. Mas acho muito legal esses nossos momentos de reflexão. Geralmente quando isso acontece, gera altas ideias!
    Adorei o seu post!

    http://nataliasemh.com

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