Desde quando pornografia é conteúdo adulto?

janeiro 15, 2017

Têm assuntos que às vezes é melhor eu não me manifestar... Ah, mas esse não!

Como de costume, estava eu checando minhas Redes Sociais quando avistei uma reportagem que me cortou o coração. "Irmão estupra a irmã vendo vídeo pornô". Meu estômago gelou, revirou, parou e os olhos quase saltaram para fora. Não sabia se fechava aquilo de uma vez, se lia, se ignorava, se postava uma nota de repúdio no Face, se chorava ou se gritava de revolta.

Um absurdo total. Não li a reportagem, porque o título era autoexplicativo, contudo, decidi ler os comentários. Foi uma chuva de catástrofes. Alguns homens, claro, apoiando o menino, achando tudo normal, uma etapa natural para provar sua masculinidade. Outras pessoas condenavam o menino à inquisição, porque deveria ser bem culpa dele isso, e não dos pais. E por fim, outros culpavam os pais por deixarem explícito um conteúdo adulto.

E eu fiquei me perguntando... Desde quando esse "conteúdo" pode ser considerado adulto? Desculpem-me a franqueza, mas esse tipo de conteúdo não deveria ser nem para adulto, nem para criança, nem para idoso, nem para adolescente e nem para ninguém.

Não se trata de puritanismo, trata-se de sensatez.

Segundo o tio Google e segundo o senso comum e a obviedade, a indústria pornográfica tem milhares de telespectadores em todo Brasil, de todas as idades. Não é segredo, está escancarado, só não vê que não quer. Na verdade, o que estes consumidores não veem mesmo, é que a pornografia é um grande câncer na sociedade. Ela veio aos poucos, de forma oculta, como um "entretenimento" e agora, explicitamente, vem destruindo famílias, causando vícios e adoecendo os relacionamentos afetivos. Sem contar que é uma indústria suja, baseada muitas vezes no trabalho escravo de mulheres. 

Aonde trabalho, ouço pelos corredores, meninos na puberdade, de no máximo 15 anos, conversando sobre meninas que eles pretendem "pegar", outros ficam a acusar o mau desenvolvimento delas na "cama", porque segundo a experiência deles, que são os vídeos, elas não estão de acordo. Vejo amigas e mulheres próximas reclamando que o parceiro cobra novidades na cama, e que muitas vezes essas "novidades" as deixam desconfortáveis e as machucam. Mas elas até que se dispõem, mesmo insatisfeitas. Tudo pelo prazer do homem, né? 

Vejo namoros acabando precocemente porque ambos já experimentaram e viram tantas coisas que agora nada os satisfazem. Ficam sempre com aquela esperança de encontrar alguém melhor, que faça todas as fantasias e vontades, alimentadas pelos tais vídeos. Ouço todos os dias a angústia de homens e mulheres que sofrem cobranças de seus parceiros  na cama, que estão cada vez mais exigentes, querendo mil posições e situações ilusórias. Conheço meninas com muitos complexos de inferioridade se achando incapazes de fazerem o namorado feliz, porque o indivíduo, mesmo tendo sua companheira, não larga mão de alimentar sua imaginação com mulheres de corpos esculturais que ele vive assistindo o desempenho sexual na internet.

Assisto na mídia que os casos de estupro e pedofilia estão cada vez mais frequentes, muitos são casos de violência coletiva. Parece que virou moda... O número de infidelidade e divórcios aumentou consideravelmente. Agora o parâmetro para um casamento feliz é a "realização sexual", se não estiver bom, separa, ou parte para traição. Na televisão é comum ver cenas de sexo nas novelas, a qualquer horário. Pra quê horário, né? Se na internet o povo vê quando quer. "É disso que o povo gosta" vão dizer as emissoras. Prazer pelo prazer! 

Falando em internet, por lá a troca de vídeos e nudes nas redes sociais é intenso. Quando vaza na internet é um palco para julgamentos. A diferença é que o homem é o bom, e a mulher é a que não vale nada. O suicídio entre mulheres é constante devido a esse fator. Agora a intimidade entre o casal é coletada para assistir depois, ao invés de ser vivida de forma única e exclusiva. O que era para ser algo entre quatro paredes se tornou uma espécie de Big Brother.

E aí você deve se perguntar: "Tudo isso é culpa da pornografia?" Não somente. Existem muitas outras variáveis neste processo, mas eu, particularmente, dou o primeiro lugar de influência a ela. A sociedade está, digamos que, animalizada, agindo puramente pelos instintos. Se estou com vontade disso, faço. Se quero aquilo, realizo. Às vezes eu duvido se somos mesmo seres racionais dotados de inteligência e capacidade de controlar instintos. 

O rapaz da reportagem, desde cedo, já entrou na onda de satisfazer seus instintos, sem controle algum, sem ordem, sem momento, sem limites. Repito, a culpa é do vídeo? Talvez se ele não tivesse visto o vídeo não teria sido instigado e influenciado a tal ponto de usar a própria irmã. Poderia ter filtrado melhor as emoções e os instintos, mas foi bombardeado com milhares de imagens e memórias armazenadas na mente.

Sabe aquela propaganda do Batom da Garoto que grudava na cabeça da gente? "Compre batom, compre batom..." Às vezes eu tinha a impressão de ouvir aquela voz todas as vezes que ia no mercado, ou num ambiente propício a comprar o chocolate. Se eu não estivesse com a cabeça no lugar acabava comprando, de tanto que a voz ecoava na minha mente. Sei que é um exemplo medíocre, mas é assim que funciona com a memória visual e auditiva. Toda vez que entramos numa zona favorável ao que está armazenado em nossa mente, o subconsciente ativa. Não é muito diferente com a pornografia. 

Enfim, sei que este não é um assunto fácil. É um tema complexo e polêmico que vai de encontro a valores, ensinamentos, culturas e costumes diversos, mas que independente disso, é um assunto que precisa ser debatido, sim. Hoje eu iniciei a discussão, propiciando uma reflexão a respeito. Acredito que tenha dado para perceber que não é algo tão simples como aparenta ser. E o pior de tudo é que o belo, o puro, o casto e indivisível tem sido considerado errado, antiquado, fora de moda e careta. 

Diga não a pornografia.

Como este post é comportamental, não vou entrar na parte espiritual do assunto, mas o que posso dizer é: Nada perde quem escolhe remar contra a maré. É uma escolha difícil, o esforço é dobrado, mas não se para nunca, está em constante movimento, até porque, a vida não pode parar. Os olhos estão fixos no horizonte! Já quem escolhe remar a favor da maré, segue seu caminho com facilidade, na ilusão de estar avançando, mas ao fim é levado novamente para a margem, morrendo na praia, e muita das vezes, sendo jogado com violência contra a terra, se machucando, enchendo os olhos e a boca de areia.



Ah, se gostou desse post, recomendo que leia também Eu prefiro ser careta.
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Créditos de texto e imagem à Juliana Wulpi, autora deste blog. Lembre-se, plágio é crime.

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