Um café e um pão na chapa, por favor

setembro 23, 2016

Era um dia cinza, triste e sem graça. Eu tinha acabado de receber uma notícia muito desagradável e tudo o que eu queria era sentar com meus pais, tomar um café e ser cuidada por eles.

café da manhã diferente

Passava das dezesseis horas e eu estava morrendo de fome, bem distante da minha casa e bem longe de concretizar meu desejo exposto a pouco.

Andei por uma distância razoável e encontrei um lugar simples para comer. Não pensei muito e entrei. Fui atendida, prontamente, por um senhor que sorria numa simpatia inigualável. Constrangida por ter entrado cabisbaixa, levantei a cabeça e sorri, um pouco tímida, correspondendo ao sorriso do senhor.

Muito a vontade, ele me deixou escolher o que eu queria. Decidi por um café e um pão na chapa com queijo e presunto. Amavelmente, ele preparou meu café perguntando os mínimos detalhes de como eu gostava. Depois apareceu uma senhora, que acredito ser a esposa do atendente, com o mesmo carinho e gentileza, questionando minha preferência em relação ao pão na chapa.

Palavras não são capazes de expressar como eu me senti cuidada por aquele casal. Enquanto esperava o café e o pão na chapa, ficava a admirar a delicadeza de cada gesto deles. Era obrigação do estabelecimento, por eu ser ciente, me tratar bem, mas nada se compara ao tratamento recebido.

A satisfação maior foi quando tomei o primeiro gole de café e dei a primeira mordida no pão. Senti gosto de casa, gosto de família. Custei a segurar as lágrimas. Aquele café estava exatamente com o sabor do café do meu pai, e o pão, do jeitinho que eu como nas tardes em meu lar.

Ah, quanto esmero! Meu coração se inflamou de gratidão. Mesmo triste, mesmo desacreditada, mesmo abatida, mesmo longe de casa, fui acometida por um sentimento de déjà vu. Eu parecia estar no sofá de casa, nas melhores companhias.

No fim, eu tinha apenas dinheiro para pagar por algo que foi além do material. Dei a quantia a ser cobrada pelo lanche e já ia embora, quando avistei na parede ao meu lado, um quadro com o Salmo 21. Alegrei-me e fiquei a vontade para me despedir dizendo: "Muito obrigada pelo carinho e atenção. Que Deus os abençoe abundantemente"Visivelmente comovidos e surpresos, foram me abençoando do caixa até a porta, tal qual um pai e uma mãe que abençoam um filho quando este está saindo de casa.

Aqueles pequenos gestos fizeram uma enorme diferença no meu dia, e além de encherem meu coração de esperança a cerca da humanidade, vieram a vivificar a minha fé. 

Como aquele casal saberia das minhas necessidades mais profundas? Não sabiam, apenas foram guiados pelo coração, tomados por Deus.

Ah, Deus! Ele sim me conhece profundamente e não se cansa de demostrar nos detalhes a sua presença magnífica. Um ser sobrenatural, que ultrapassa a razão e a lógica, mostrando que seu amor está presente a todo instante, cuidando para que eu não me esqueça jamais, mesmo nos momentos de dor, que Ele presta atenção em mim, nas grandes e nas pequenas coisas.

E o casal? O fato de minha fé levar-me a crer nessa providência divina não diminui em nada toda a ação humana. Uma se completa misteriosamente na outra. Uma ação não empobrece a outra, pelo contrário, juntas, elas se enriquecem. O casal, por sua doçura e sensibilidade, ganha um grande espaço no meu coração e a minha eterna gratidão.

Este foi o meu dia. Começou triste, mas terminou em pleno estado de graça. Nada é tão ruim. Em tudo eu vejo algo bom.

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Este texto é um testemunho real escrito e vivido por Juliana Wulpi, autora deste blog.

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